quarta-feira, 13 de abril de 2011

Para mim...

escrevo-te este poema
para que saibas o quanto te quero,
és tão importante para mim
como o ar que respiro,
a água que bebo,
o sangue que me corre nas veias.
Preciso dizer-te que me orgulho de ti,
caíste mas levantaste-te,
choraste mas aprendeste a sorrir,
sofreste mas amaste.
Finalmente percebeste,
todos esses fantasmas,
os esqueletos que guardas no armário,
valem o que valem,
já apodreceram,
tornaram-se pó,
uma vaga recordação do terror que sentiste.
Agora,
que aquela menina morreu,
guardaste os brinquedos,
e tornaste-te a dona da tua casa e do teu destino.
Compreendeste o significado do teu amor,
aquele por quem sacrificaste tudo em ti,
só porque o terror da inferioridade não te deixou ver,
agarraste-te a essa forca com uma garra,
que nunca tiveste para mais nada,
porque duvidas de quem és e de quanto tu vales.
Mas,
deixa-me que te diga,
surpreendeste-me quando largaste essa droga,
esse amor que já não querias mas que te era confortável,
e deste um mergulho no vazio,
sem saberes a profundidade da água,
as rochas no fundo
e muito menos que tubarões te esperavam.
Mas,
livraste-te desse amor,
que não era amor mas uma doença camuflada por todas as tuas incertezas,
e lutaste nessa guerra que sabias não poder vencer,
quando desististe,
todos te criticaram,
eu percebi,
eu vi,
que ganhaste,
foi quando ganhaste,
foi a primeira vez que ouvi a tua voz.
Aprendi a conhecer-te,
vejo-te lutares para seres quem desejas,
guardando o melhor de ti,
fechada como uma caixa de bombons,
pensas que o mundo não te vê,
ignoras o quanto te ouvem,
continuas serena a ouvir a voz do teu coração,
alimentas o corpo e a alma
com as promessas de momentos felizes,
porque sabes que a vida nem sempre será fácil,
mas que haverá sempre uma mão no teu caminho.
Acima de tudo,
questionas-te de como podes ser ainda melhor,
procuras a perfeição,
não porque queres ser perfeita,
mas porque queres partilhar a perfeição com quem amas.
Quando decides o melhor para ti,
lutas por isso,
sem muletas nem apoios,
extraordinário o que atinges quando te propões a isso.
Tens sempre uma palavra amiga e sempre uma mão estendida.
Não desejas mal a ninguém,
mas não queres por perto quem te destrata.
Apenas queres viver,
com a cabeça erguida,
cumprindo as tuas obrigações,
tendo em conta os teus direitos,
seguindo os teus sonhos e dando voz aos teus ideais.
Para mim,
que me orgulho de ser mulher.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Perdão

Um dia que nasce,
o sol que brilha,
tudo encaixa,
nada está fora do sítio,
sinto-me confiante
para mais um dia igual a tantos outros.
Agora que olho para trás,
percebo os sinais,
há sempre um aviso,
um olhar que se desvia,
um som que nos alerta,
um silêncio que precede
aquele momento em algo,
verdadeiramente doloroso,
nos atinge,
nos aniquila...
Será sempre assim?
Sentir que não sou eu que estou ali?
Que não é de mim que se fala?
Que não fui eu errei?
Serão os meus erros mais graves? Imperdoáveis?
Ou serei apenas eu que não sei olhar-me?
As lágrimas correm para dentro,
há muito que perdi a habilidade de as deitar para fora,
algo me sufoca a garganta,
um grito?
um sufoco?
Ainda incrédula,
inicio,
ferozmente,
a tua defesa que é a minha,
mas,
rapidamente percebo,
que estou em minoria,
sou apenas uma,
contra essas circunstâncias,
que tantas vezes parecem unir-se contra mim,
portanto,
reconheço,
sem falsa humildade,
a derrota,
aceito o meu erro e tento,
juro por mim,
que tento ultrapassar,
não pensando que mais uma vez,
tal como todas as outras vezes,
baixei os braços e não te dei voz.
Odeio-me por isso,
por não ser capaz de falar,
de dar voz aos teus sentimentos
e de acima de tudo,
por não acreditar em ti,
nas tuas capacidades e nas tuas habilidades.
Por isso,
perdoa-me por não ter ficado do teu lado,
por independentemente de estares certa ou errada,
não te ter dado a mão e ter chorado contigo.
Perdoa-me por não te ter amado.