quinta-feira, 28 de julho de 2011

Voa comigo meu querido!

Foi longo o meu caminho,
uma vida inteira para chegar aqui,
este momento,
em que me descubro,
em que me encontro,
em que me vejo...
Sinto o teu olhar,
o teu cheiro,
o teu calor,
e sei...
escolhi-te,
porque me vês,
porque me olhas,
porque me amas apesar dos meus defeitos...
És belo,
doce e gentil,
uma criança ingénua ainda habita em ti...
És tu que eu quero,
quero caminhar contigo de mãos dadas,
juntos,
lado a lado,
não há frente,
não a trás,
a amparar um ao outro,
no bom e no mau...
Quero que venhas sorrir,
amar,
dançar
cantar,
escalar,
correr,
chorar,
cair,
dormir,
viver comigo,
sem que te fundas em mim,
sem que eu me funda em ti,
mas partilhando tudo aquilo que nos torna tão especiais,
que nos faz amar-nos,
querer-nos,
desejar-nos...
Não te peço nada,
apenas quero que me dês a mão,
feches os olhos,
que confies em mim,
em nós,
e deixa-te ir...
porque tudo o que eu quero...
é que venhas voar comigo,
meu querido!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Para mim...

escrevo-te este poema
para que saibas o quanto te quero,
és tão importante para mim
como o ar que respiro,
a água que bebo,
o sangue que me corre nas veias.
Preciso dizer-te que me orgulho de ti,
caíste mas levantaste-te,
choraste mas aprendeste a sorrir,
sofreste mas amaste.
Finalmente percebeste,
todos esses fantasmas,
os esqueletos que guardas no armário,
valem o que valem,
já apodreceram,
tornaram-se pó,
uma vaga recordação do terror que sentiste.
Agora,
que aquela menina morreu,
guardaste os brinquedos,
e tornaste-te a dona da tua casa e do teu destino.
Compreendeste o significado do teu amor,
aquele por quem sacrificaste tudo em ti,
só porque o terror da inferioridade não te deixou ver,
agarraste-te a essa forca com uma garra,
que nunca tiveste para mais nada,
porque duvidas de quem és e de quanto tu vales.
Mas,
deixa-me que te diga,
surpreendeste-me quando largaste essa droga,
esse amor que já não querias mas que te era confortável,
e deste um mergulho no vazio,
sem saberes a profundidade da água,
as rochas no fundo
e muito menos que tubarões te esperavam.
Mas,
livraste-te desse amor,
que não era amor mas uma doença camuflada por todas as tuas incertezas,
e lutaste nessa guerra que sabias não poder vencer,
quando desististe,
todos te criticaram,
eu percebi,
eu vi,
que ganhaste,
foi quando ganhaste,
foi a primeira vez que ouvi a tua voz.
Aprendi a conhecer-te,
vejo-te lutares para seres quem desejas,
guardando o melhor de ti,
fechada como uma caixa de bombons,
pensas que o mundo não te vê,
ignoras o quanto te ouvem,
continuas serena a ouvir a voz do teu coração,
alimentas o corpo e a alma
com as promessas de momentos felizes,
porque sabes que a vida nem sempre será fácil,
mas que haverá sempre uma mão no teu caminho.
Acima de tudo,
questionas-te de como podes ser ainda melhor,
procuras a perfeição,
não porque queres ser perfeita,
mas porque queres partilhar a perfeição com quem amas.
Quando decides o melhor para ti,
lutas por isso,
sem muletas nem apoios,
extraordinário o que atinges quando te propões a isso.
Tens sempre uma palavra amiga e sempre uma mão estendida.
Não desejas mal a ninguém,
mas não queres por perto quem te destrata.
Apenas queres viver,
com a cabeça erguida,
cumprindo as tuas obrigações,
tendo em conta os teus direitos,
seguindo os teus sonhos e dando voz aos teus ideais.
Para mim,
que me orgulho de ser mulher.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Perdão

Um dia que nasce,
o sol que brilha,
tudo encaixa,
nada está fora do sítio,
sinto-me confiante
para mais um dia igual a tantos outros.
Agora que olho para trás,
percebo os sinais,
há sempre um aviso,
um olhar que se desvia,
um som que nos alerta,
um silêncio que precede
aquele momento em algo,
verdadeiramente doloroso,
nos atinge,
nos aniquila...
Será sempre assim?
Sentir que não sou eu que estou ali?
Que não é de mim que se fala?
Que não fui eu errei?
Serão os meus erros mais graves? Imperdoáveis?
Ou serei apenas eu que não sei olhar-me?
As lágrimas correm para dentro,
há muito que perdi a habilidade de as deitar para fora,
algo me sufoca a garganta,
um grito?
um sufoco?
Ainda incrédula,
inicio,
ferozmente,
a tua defesa que é a minha,
mas,
rapidamente percebo,
que estou em minoria,
sou apenas uma,
contra essas circunstâncias,
que tantas vezes parecem unir-se contra mim,
portanto,
reconheço,
sem falsa humildade,
a derrota,
aceito o meu erro e tento,
juro por mim,
que tento ultrapassar,
não pensando que mais uma vez,
tal como todas as outras vezes,
baixei os braços e não te dei voz.
Odeio-me por isso,
por não ser capaz de falar,
de dar voz aos teus sentimentos
e de acima de tudo,
por não acreditar em ti,
nas tuas capacidades e nas tuas habilidades.
Por isso,
perdoa-me por não ter ficado do teu lado,
por independentemente de estares certa ou errada,
não te ter dado a mão e ter chorado contigo.
Perdoa-me por não te ter amado.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nas asas do desejo...

Invade-me a saudade,
dos tempos passados,
em que as minhas asas eram grandes e belas,
cheias de cores e sons,
quando voava,
todo o seu esplendor
se reflectia no horizonte.
Vivo assim,
neste sopro,
como num conto de fadas,
em que a ilusão de viver feliz para sempre,
se desvanece num momento.
E quando a besta da realidade,
teima testar-me,
por à prova esta minha vontade,
de permanecer fiel a mim mesma,
colocando obstáculos no meu caminho,
como espinhos numa rosa,
que tanto me aproxima,
como me afasta,
nessas ruas onde te encontro,
nessas ruas onde te perco,
eu voo sozinha,
em busca do meu porto seguro.
Fecho-me numa concha,
que me protege,
tal como uma fortaleza impenetravel,
onde nenhum principe encantado entra,
guardo para mim
os sorrisos que não dou,
as lágrimas que não choro
e os sonhos que não tenho.
E nesse meu mundo,
nada me derruba,
nada me perturba,
vivo serena,
tranquila,
feliz,
porque as minhas asas,
agora,
gastas e descoloridas,
apenas com traços do que foram,
continuam a levar-me aonde quero.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Pertencer

A minha primeira vontade foi a de pertencer.
Nasci a sentir que pertencia a nada e a ninguém.
Nasci de graça.
Cresci com esta fome humana,
que continuou a me acompanhar pela vida,
como se fosse um destino,
que me espreita a cada esquina,
que se esconde debaixo de cada pedra,
que me assombra em cada noite.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém,
é que me tornei bastante distante,
tenho medo de me revelar,
de mostrar o quanto preciso,
que descubram como sou pobre.
Sou, sim.
Muito pobre.
Só tenho um corpo e uma alma.
E preciso de mais do que isso.
Muito mais.
Com o tempo,
O que eu queria,
e não posso,
é por exemplo que tudo o que viesse de bom de dentro de mim,
eu pudesse dar àquilo a que eu pertenço.
Mas,
como não pertenço,
não sou de nada nem de ninguém,
guardo em mim,
dentro de uma caixa fechada,
embrulhada nos meus melhores sentimentos,
tal como uma prenda que não tem a quem se oferecer,
à espera de pertencer.
Mesmo as minhas alegrias,
como são solitárias às vezes,
e não porque estou só,
e muito menos porque temo a solidão,
simplesmente porque não tenho a quem pertencer.
E pertencer,
não é ser propriedade de alguém,
porque isso eu já fui,
fui filha de alguém,
namorada,
mulher,
mãe,
pertencer é ter algo ou alguém a que se entregar,
é estar lá incondicionalmente,
partilhando,
sonhando,
vivendo,
despidos de mascáras,
de preconceitos,
de rancores.
E embora a vida me tenha dado,
ocasionalmente,
momentos em que percebi
que podia pertencer,
para logo mos tirar,
não senti que pertencia,
continei sem pertencer,
porque não havia com quem partilhar,
quem quisesse aceitar as minhas incompreensões,
os meus erros,
os meus defeitos.
Descobri,
tarde,
que enquanto não pertenço,
porque pertencer é amar,
ser amado,
ser especial e sentir que temos o poder de fazer alguém sentir-se especial,
vou pertencendo à vida,
porque enquanto vivo sonho,
e enquanto sonho,
crio em mim a ilusão que afinal pertenço,
e no fim do dia,
pertenci a mim,
porque fui fiel ao meu sonho.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Amor

Amor,
todos procuramos e poucos encontramos...
Amor,
amar e ser amado,
no entanto,
enquanto uns amam outros são amados.
Juntar na mesma pessoa
a essência de amar e ser amada,
é uma cruzada quase impossivel,
que quando acontece
dificilmente se reconhece e se aceita.
Amar,
um verbo fácil de pronunciar
mas dificil de executar,
porque,
como seres egoístas que somos,
todos preferimos ser amados.
O amor começa em mim,
no sentido que lhe dou,
quando me amo,
me aceito,
me quero.
Deixe que se espalhe,
ao sabor do momento,
de acordo com as minhas vontades,
com a sminhas verdades,
e quando a vida tenta,
por vezes consegue,
desviar-lhe o percurso,
o sentido,
de ser eu quem ama,
de ser eu quem é amada,
fico perdida,
num mar de incertezas,
sobre essa proeza a que chamamos amor.
Mas,
continuo a sonhar,
que um dia,
o amor será meu,
estará em mim,
comigo,
e serei ainda mais feliz.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sonhar

Cada vez que respiro,
sinto o ar entrar no meu corpo,
e a cada batimento do meu coração,
abraço a vida que me pertence,
que me faz vibrar e descobrir,
em mim,
comigo,
um novo sentido no minha existência.
Estou viva,
sou abençoada,
pela vontade de viver,
de sonhar,
de voar.
E em cada voo que faço,
trago comigo um pedaço de céu,
para decorar o meu ninho.
Encho o meu canto,
a minha alma,
com os momentos de felicidade,
que vou coleccionando,
das gentes,
dos lugares,
onde fui,
onde estive
e com quem vivi.
Senti o sabor do amor,
a cor da paixão,
a força da amizade,
a sabedoria da tranquilidade
e a certeza da serenidade.
Sou de mim,
não pertenço a ninguém,
não existe companheiro para mim,
uma alma que me complete,
que me encaixe,
mas continuo a sonhar que estás por aí,
à minha espera,
que virás à minha procura,
que me encontrarás,
quando eu já não quiser voar sozinha,
e também tu sentirás o mesmo desejo,
partilhar o sonho,
a esperança,
o amor...
Saber que somos felizes,
porque existimos,
porque estamos no outro,
com o outro,
e com o tempo seremos um,
com o melhor de cada um,
porque terei vontade,
a mesma que tu,
de estar contigo.