segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nas asas do desejo...

Invade-me a saudade,
dos tempos passados,
em que as minhas asas eram grandes e belas,
cheias de cores e sons,
quando voava,
todo o seu esplendor
se reflectia no horizonte.
Vivo assim,
neste sopro,
como num conto de fadas,
em que a ilusão de viver feliz para sempre,
se desvanece num momento.
E quando a besta da realidade,
teima testar-me,
por à prova esta minha vontade,
de permanecer fiel a mim mesma,
colocando obstáculos no meu caminho,
como espinhos numa rosa,
que tanto me aproxima,
como me afasta,
nessas ruas onde te encontro,
nessas ruas onde te perco,
eu voo sozinha,
em busca do meu porto seguro.
Fecho-me numa concha,
que me protege,
tal como uma fortaleza impenetravel,
onde nenhum principe encantado entra,
guardo para mim
os sorrisos que não dou,
as lágrimas que não choro
e os sonhos que não tenho.
E nesse meu mundo,
nada me derruba,
nada me perturba,
vivo serena,
tranquila,
feliz,
porque as minhas asas,
agora,
gastas e descoloridas,
apenas com traços do que foram,
continuam a levar-me aonde quero.