sábado, 27 de dezembro de 2008

Vida

Fui tocada pelo fogo,
sigo esta estrada sem destino,
saio de mim e mim retorno,
trazendo,
sempre,
uma lição,
uma paixão,
uma estrela.
Nesses võos,
aqueles em que me ausento de mim,
sem que saibas,
sem que notes,
porque o corpo fica
mas mente parte,
vai com destino incerto,
à procura de novas loucuras,
novos desejos,
novos sonhos.
Encontro sempre,
alguém por quem me apaixono,
que me faz sorrir
e esquecer as lágrimas que já não choro.
E enquanto sonho esse amor,
que é impossível,
porque não existe amor mais belo
do que aquele que não se pode viver,
cresço e toco o céu.
Parto de mim e a mim regresso,
sempre voando,
sempre sorrindo,
porque sonho,
e enquanto sonho,
sou feliz.

Queria...

Queria que olhasses para mim
e me visses como sou.
Queria ver no teu olhar a chama a arder
como já vi em outros.
Queria sentir o teu toque
queimar a minha pele
e saber que me queres.
Queria que te apaixonasses por mim
e fosses capaz das maiores loucuras.
Queria que lutasses por mim
e me fizesses perder a cabeça.
Queria que me abraçasses
e não me deixasses fugir.
Queria que sorrisses por mim
como me fazes sorrir para ti.
Queria que limpasses as minhas lágrimas
e me fizesses sonhar.
Queria que me desses a mão
e que te perdesses no mundo comigo.
Na impossibilidade,
porque não existes,
porque não me queres,
porque não sonhas comigo,
peço-te,
apenas,
que me deixes continuar a querer.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Tu não sabes...

Tu não sabes o que é acordar
e sentires-te profundamente triste.
Num bom dia,
olhares para o céu
e pensares que é um bom dia para desaparecer.
Ignoras o que é procurares,
dentro de ti,
a todas as horas do dia,
as razões que te devem fazer feliz,
porque simplesmente não sabes.
Não há um motivo,
uma razão e muito menos uma explicação,
apenas é.
Podes ver a vida a cores,
eu só vejo o preto e o branco.
Podes ouvir a música,
eu só ouço o barulho.
Podes até amar-me,
eu só conheço a dor.
Encontro a felicidade,
naquele copo que bebi,
naquela charro que fumei,
naquela noite que dancei,
naquela corrida que fiz,
naquela loucura que cometi,
mas,
passa,
foge,
desaparece.
Fico vazia,
à espera que eu regresse a mim.
Tu não sabes,
o que me custa ser eu.
Não sabes
e achas que é facil,
até demais,
porque me vês feliz,
me julgas alegre,
cheia de vida...
vida que não tenho,
que não quero,
que te dou,
que te devolvo.
Porque tu não sabes.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Desejos...

Desejo ser feliz,
e ser feliz,
para mim significa:
estar presente na vida do meu filho,
dar-lhe a mão quando tem medo,
limpar-lhe as lágrimas quando chora,
dar-lhe colo quando sofre,
sorrir-lhe quando ri,
brincar com ele quando está só,
ouvir as suas histórias quando vou buscá-lo,
ralhar-lhe quando se porta mal,
dizer-lhe não quando devo,
dizer sim quando posso,
mostrar o certo e o errado,
ensinar-lhe que eu também me engano,
receber o seu carinho quando estou triste,
sentir aquele aperto quando não o vejo,
sobretudo,
ser feliz é saber que o amo incondicionalmente
e ver nos seus olhos que simplesmente me ama,
que para ele,
eu sou a melhor mãe do mundo...
mesmo quando falho,
quando não estou,
quando não posso...
ser feliz
é poder partilhar esta sorte,
este amor,
esta alegria,
contigo,
com eles,
connosco ...
Os que fazem parte da minha vida,
os que me querem,
os que eu quero,
os que precisam.
Porque ser mãe,
faz de mim melhor pessoa,
faz-me esquecer as outras vidas que eu queria ter,
as outras dores que eu não quis,
todos os meus fracassos,
insucessos,
perdas,
infortúnios...
O que desejo eu?
Nada...
sou mãe,
sou feliz!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Dores...

Quando olho para ti,
vejo uma dor que te carrega o olhar
e que te endurece o sorriso.
Quando oiço a tua voz,
percebo um peso que te envelhece
e que te torna amargo.
Continuas preso a quem te magou,
a quem um dia amaste
mas não te quis.
Procuras uma explicação,
julgando-nos todas iguais,
capazes de te magoar por querer.
Não te entregas nem avanças,
preferes ficar imóvel,
inerte,
sem reacção,
porque é mais seguro,
porque é mais confortável.
Mas,
a dor também não passa,
porque vedas a passagem à possibilidade,
à incerteza,
à dúvida de um novo amor.
Porque já te esqueceste
que uma vida sem riscos,
não é viver,
é sobreviver sem dor
mas sem alegria.
Já não te lembras
de como é bom o toque de quem queremos,
de como é bom o calor de quem desejamos,
de como é bom perder a cabeça com quem nos quer...
Gostava de te ver sorrir sem razão,
que pudesses descontraír
e simplesmente ir na corrente,
que perdesses a razão,
que te sentisses perdido
mas ao mesmo tempo a excitação do desconhecido,
o fogo da paixão...
e se não der certo,
recomeças de novo.
Porque a felicidade não existe,
existem momentos felizes,
que vamos coleccionando ao longo da nossa vida.
E mesmo que tenhas que chorar,
ao menos podes dizer eu sou feliz!

De volta a mim...

Existem momentos em que me perco,
em que fecho os olhos
e não sei quem sou.
Esta vida que vivo,
nesta estrada que percorro,
nem sempre me leva onde quero.
Esqueço-me da vida que não quero,
ignoro os sinais no caminho,
entro noutro sentido,
noutra vida.
Deixo tudo on hold,
em stand by,
não avanço nem recuo,
apenas entro em modo de sonho,
e começo a viver o que não posso.
Desejo não querendo,
penso não sentido,
dou sem vontade
e não recebo de quem quero.
Deixo a ansiedade,
a volupia,
a melacolia,
numa caixa fechada,
que guardo dentro do coração,
esperando que caia e se abra,
libertando esses terrores,
horrores de não chegar a viver o quero,
ir para onde devo,
amar quem é suposto.
Não quero crescer,
não quero ir por essa vida,
sem saber que fui feliz,
ignorando se sonhei em vão.
Estou de volta a mim,
sei que estou,
que sou,
que vou,
o tempo não para nem espera,
e eu perco as oportunidades
porque estou on hold.
Estou de volta a mim,
ao sítio onde coloquei a minha felicidade,
o meu amor,
o meu desejo,
e apaixonadamente te digo:
Não preciso de ti... sou feliz!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Confusão

O sonho confunde-se com a realidade,
tantos dias e horas a pensar naquele momento,
a saborear as diferentes formas em que podia ter ocorrido,
nem de perto nem de longe,
é impossivel prever e sentir o que irá acontecer...
É sempre confuso,
porque não acontece,
nunca avanças,
deixas-te ficar inerte como se não fosses tu que aí estás.
Cada vez estás mais próximo,
mas continuo sem entender-te,
sem saber o que realmente queres,
quem queres e quando vais querer.
Essa indiferença coloca entre nós um abismo
de gestos,
de olhares,
de sentimentos.
A dúvida que se instala,
que me faz deixar de te querer,
mas querendo-te sonhando
com quem pareces não ser.
Esse jogo que jogas sem mim,
não tem fim,
nem me lembro como começou,
sei que não sei,
mas nem sei se quero.
Umas vezes,
fazes-me bem,
colocas o sorriso nos meus olhos
e aqueces-me o coração.
Outras vezes,
entristeces-me o sorriso
e enches a minha alma de lágrimas.
É apenas mais uma confusão
que vem distrair-me
dos vazios que alguém colocou
na minha estrada,
resta saber,
se também tu,
irás roubar mais um pouco da minha alma,
para depois te esqueceres
que eu estou aqui.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Ser como eu...

É estar no limbo entre a alegria e a tristeza,
é saber que hoje estou aqui mas não amanhã,
é saber que gosto de ti incondicionalmente,
mas não te dou.
Ser como eu
é ouvires o meu riso,
veres o meu sorriso e adivinhares as minhas lágrimas.
Ser como eu
é acordares a meio da noite
para desenhares algo que ninguém compreende,
para escreveres algo que faz sentido para alguém,
para construrires sensações que se perderam.
Ser como eu
é estares só no meio de pessoas que te amam
mas não te compreendem,
ignoram quem és mas que te querem mais do que tu.
Ser como eu
é colocar uma mochila às costas
e perder-se por esse mundo
deixando apenas a recordação naqueles que amou.
Ser como eu
é um sonho que às vezes corre mal,
mas
na maioria das vezes traz consigo uma alegria extasiante
e contagiante que pinta o mundo de cor de rosa.